Psicologia Hospitalar: qualidade de Vida e qualidade de morte | Qualidade de vida na velhice e demandas no atendimento à saúde - por Profª Rosana Augusta B. Rossi Pacheco

21/08/2019

Com a constatação da multidimensionalidade do termo "qualidade de vida", os pesquisadores passaram a perceber a importância e a necessidade de o avaliarem em referência ao fator idade e o estágio de desenvolvimento dos grupos, analisando as diferentes fases do ciclo da vida: infância, adolescência, adultez e velhice.Em relação ao aumento visível do número de idosos, graças principalmente aos avanços da medicina e melhoria da qualidade de vida dessa população, que aumenta tanto em termos de longevidade como de número populacional, muitas questões carecem de entendimento, principalmente em relação ao bem estar físico, psicológico e social, preocupando e interessando cada vez mais aos planejadores de políticas públicas, nas áreas da saúde, educação, previdência e seguridade social e, ainda, do trabalho.Então, existem critérios predefinidos para se avaliar a qualidade de vida na velhice, pois o interesse permeia várias áreas de abrangência dessa fase, incluindo gerontologia social, onde predominam as associações entre a qualidade de vida, satisfação e atividade social.Segundo a OMS, qualidade de vida pressupõe a percepção individual sobre a própria posição na vida, os sistemas de cultura e de valores em contexto de vida, e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. O conceito pertence a um campo polissêmico, com uma faceta relacionada ao modo de vida, suas condições e estilos, enquanto outra engloba ideias como: desenvolvimento sustentável, e os direitos humanos e sociais.Qualidade de vida engloba várias áreas, motivações e indicadores sociais, como as atividades de autocuidado, mobilidade, atividades físicas e desempenho de papéis, bem como: doença e os sintomas relacionados com o tratamento, funcionamento social (atividades sociais e relacionamentos), saúde mental (humor, autoestima, bem estar, percepção), desenvolvimento espiritual e existencial, valores culturais, segurança e ambiente (residência adequada, rendimento econômico), amor, liberdade, felicidade, satisfação com a vida.Na Psicologia, por sua vez, os aspectos mais comumente investigados se referem as auto crenças de controle, auto eficácia e significado, bem como competência social e cognitiva e bem estar subjetivo, e nos domínios da bioética, o interesse se faz em torno sobre as avaliações das possibilidades ou não de autonomia de respeito à dignidade oferecidas a todos os idosos pelo sistema social e pelos seus microssistemas.O idoso passa a avaliar como percebe subjetivamente sua qualidade de vida, independente das condições ambientais favoráveis ou não à sua própria adaptação ao ambiente, e seus principais indicadores são: saúde percebida, enfermidades relatadas, consumo relatado de medicamentos, dores e desconfortos relatados, alterações que percebem na cognição, e senso de auto eficácia nos domínios físicos e cognitivos. O conceito de qualidade de vida na velhice é associado diretamente, segundo esse modelo, à existência de condições ambientais que permitem aos idosos desempenharem comportamentos de adaptação satisfatória, com a qualidade de vida percebida.Existe um consenso entre os pesquisadores de que o termo qualidade de vida necessita de uma abordagem multidimensional, e que os aspectos culturais, étnicos, religiosos e pessoas influenciam a qualidade de vida, tanto nos parâmetros objetivos, como nos subjetivos. Os objetivos são: satisfação das necessidades básicas e as que estão em uma determinada estrutura social (não estão sujeitas ao viés do observador). E os parâmetros subjetivos são: bem-estar, felicidade, realização pessoal (sujeito a questões de julgamento pessoal). A qualidade de vida relacionada ao campo da saúde representa um movimento de humanização no campo, em direção à valorização de outros parâmetros, além dos sintomas e dados epidemiológicos, tais como: a incidência e prevalência de enfermidades.Os grupos de convivência, assim denominados, têm sido categorizados enquanto estratégicos na busca de qualidade de vida, bem como suporte psicológico e social, estimulando o idoso a exercitar sua capacidade de adaptação e aceitação das suas próprias mudanças decorrentes do processo de envelhecimento, como do processo do outro. Bem estar ou qualidade de vida na velhice tem sido entendido enquanto parte da perspectiva do envelhecimento ativo.A qualidade de vida dos idosos que sofrem com doenças crônicas estáveis e controladas, no contexto dos cuidados primários pode ser afetada por multimorbidade no domínio físico e também, no domínio psicológico. Não existe influência da idade na qualidade de vida, mas a autopercepção de saúde provou ser um bom indicador de qualidade de vida.É uma medida de resultado que está sendo cada vez mais utilizada para avaliar os resultados em estudos clínicos de pacientes com doenças crônicas. Pouco se sabe sobre o impacto da multimorbidade na qualidade de vida dos pacientes de cuidados primários, embora este é o lugar onde a maioria dos pacientes recebe seus cuidados.Em 2050, espera-se que o número de pessoas vivendo nos Estados Unidos há mais tempo com as doenças crônicas, com mais de 85 anos, seja de 8,5 milhões e os cuidados paliativos são essenciais para alcançar a meta de atendimento excelente e de baixo custo.O impacto da doença crônica na qualidade de vida, sendo que o bem-estar na velhice está relacionado com o equilíbrio entre várias dimensões da qualidade de vida. O aumento do número de morbidades e o aumento da idade influenciam de modo significativo vários domínios da qualidade de vida dos indivíduos idosos, em especial a capacidade funcional, que parece ser o único domínio a sofrer influencia diretamente da idade.Em relação à qualidade de vida e as dores, quanto maior a dor relatada pelos idosos, menor a qualidade de vida percebida, especialmente quando se falam em dores crônicas. Toda condição geral de saúde que leve à restrição na participação do idoso, pode afetar o sentimento de inutilidade e portanto, de bem estar pessoal, diminuindo a qualidade de vida.A dor pode causar inatividade e progressiva incapacidade, além do isolamento social e diminuição da capacidade do sono e apetite. Podem ainda sofrer com solidão, depressão, perda e sentimento de desamparo. O manejo inadequado da dor pode acarretar custos para a saúde e serviços de atendimento ao idoso.As enfermidades crônicas aumentam com a idade, sendo que 50 a 80% da população com mais de 65 anos apresenta dor. A dor é uma experiência esgotadora, unida a um sofrimento psicológico, com sintomas de ansiedade e depressão, que condicionam e aumentam a percepção dolorosa.As lesões musculoesqueléticas são as maiores causas de dor na população idosa, sendo que as condições reumáticas restringem a participação em atividades e mobilidade, causando dificuldades na execução de tarefas de autocuidado. A avaliação da qualidade de vida é um importante indicador do impacto das doenças reumáticas e sintomas articulares crônicos na qualidade de vida dos idosos, e as mulheres apresentam maior prevalência dos sintomas, devido à maior susceptibilidade das mulheres a doenças reumáticas. Os baixos níveis de saúde percebida, sintomas físicos e deficiências são os principais fatores de risco que contribuem para um declínio na capacidade funcional e da baixa qualidade de vida.

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